
Diário da Copa do Mundo de Henry Winter, dia 23
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Cidade do México
Eu estava na fila do lado de fora do Azteca observando um mexicano com uma máscara de louco tocando freneticamente uma buzina quando chegou a notícia da ligação de Donald Trump para Gianni Infantino sobre a suspensão de Folarin Balogun. Ele foi rapidamente rescindido, então o principal atacante da USMNT está agora disponível para as oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica. É vergonhoso. Outra equipe teria recebido esse tratamento aparentemente preferencial? É uma das piores decisões que já vi da FIFA na cobertura de dez das suas Copas do Mundo.
A Federação Belga rapidamente divulgou um comunicado descrevendo o quão “surpresa” ficou com a intervenção de Infantino, o presidente da FIFA, num domínio que pertence aos árbitros. Balogun provavelmente recebeu o cartão vermelho indevidamente, mas uma vez que a decisão foi tomada, e não houve processo de apelação (um erro, realmente deveria haver), isso deveria ter sido o fim.
Mas parece que é o começo de tudo. Este desenvolvimento pode mudar o futebol tal como o conhecemos. A FIFA está efetivamente dizendo que tudo pode ser apelado. Ótimo para advogados, não para o jogo. “Onde começa e onde termina?” Thomas Tuchel perguntou. “Quem anula esta decisão e quando? É estranho para mim. Queremos apenas consistência suficiente nas decisões.”
A Inglaterra poderia apelar do cartão inicial de Declan Rice contra o México. “Acho que não é um cartão amarelo”, afirmou Tuchel. “Podemos recuperar isso?”
A decisão da FIFA prejudica a integridade do processo de arbitragem. Os recursos serão regulares. A FIFA parece fraca, como se estivesse respondendo a um chamado de Trump. É uma interferência política e a FIFA critica as associações nacionais se forem consideradas demasiado próximas dos seus governos.
Presidentes e precedentes. A decisão de Balogun levantará novamente o debate sobre como a suspensão de dois jogos de Cristiano Ronaldo foi levantada a tempo para a Copa do Mundo. Foi um flagrante malabarismo com as regras para colocar o grande Ronaldo na linha de largada da competição.
A FIFA enfraqueceu-se a si própria e ao seu processo disciplinar. Perdeu o seu poder sobre as associações nacionais, que podem agora apontar para o precedente Balogun. A FIFA enfraqueceu a credibilidade e a alegria da Copa do Mundo. Também garantiu que Balogun e a USMNT serão simplesmente vistos como animais de estimação dos professores, todos homens do presidente. Na verdade, eles foram uma lufada de ar fresco. Infelizmente, agora, o ar parece bastante fétido.
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A integridade desportiva esteve ausente nessa decisão. É triste. Muitas pessoas elogiaram o clima esportivo desta Copa do Mundo, como os torcedores festejando juntos – como aconteceu com os torcedores da Inglaterra e do México fora do Azteca.
Em contraste com os acontecimentos em outros lugares, o tema esportivo foi continuado pelo técnico do México, Javier Aguirre, em sua coletiva de imprensa de despedida.
Ele se esforçou para parabenizar a Inglaterra pela vitória. “Esperamos que o resto do torneio funcione maravilhosamente bem para eles”, disse ele. Numa noite triste para Aguirre, quando refletiu emocionado sobre a dor por não ter conseguido cumprir o seu papel pelo país, Aguirre pensou na Inglaterra, a seleção que lhe trouxe tanta dor. Num momento difícil, ao ser “tomado pelas emoções”, Aguirre desejou felicidades aos seus conquistadores. Thomas Tuchel retribuiu o elogio esportivamente. “Quase temos que pedir desculpas por você (Meixco) ter saído porque vi a paixão e a emoção de todas as pessoas nas ruas hoje e ontem e na nossa frente.”
Aguirre ficou perturbado por não ter levado o México mais longe, mas refletiu sobre passar o bastão para Rafael Márquez e foi efusivo em seu apoio ao seu sucessor. Foi um exercício de altruísmo.
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Sentado ao lado de uma jornalista brasileira no centro de mídia Azteca, tive 90 minutos de emoções de montanha-russa enquanto ela era levada pelos acontecimentos na tela à nossa frente. Transmitiu impiedosamente o desmantelamento da sua querida equipa pela Noruega. Além da derrota nas oitavas de final, doeu a perda de identidade do Brasil. Deveria machucar todos que amam futebol. Ninguém esperava a reencarnação do Jogo Bonito, mas uma aparência de caráter distinto, o DNA ofensivo do Brasil, no time teria sido bom.
O país de Rivellino, Romário, Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo – e esses são apenas os Rs – não produziu recentemente talentos semelhantes. Essas são as questões de longo prazo que precisam ser enfrentadas pela Confederação Brasileira de Futebol, mas as de curto prazo, aquelas que inibiram o progresso do Brasil por aqui, também precisam ser revistas. Tipo… por que diabos o João Pedro não foi escolhido? O Brasil clamava por um centroavante que pudesse finalizar.
Os torcedores do Chelsea ficaram surpresos com o fato de o jogador do ano, autor de 20 gols em 49 jogos, uma luz em uma temporada bastante sombria, não ter sido incluído por Carlo Ancelotti em sua 26ª Copa do Mundo. “Ele provavelmente merecia estar na lista”, disse Ancelotti no anúncio. Nenhum consolo para João Pedro.
Nem a visão do Brasil lutando na frente do gol contra a Noruega. Quando Endrick estragou um passe maravilhoso de Vinicius Jr com um primeiro toque desajeitado, inúmeros pensamentos se voltaram para como João Pedro teria aproveitado aquela oportunidade. O Brasil ainda pode estar na Copa do Mundo. Ancelotti pode não estar recebendo perguntas sobre seu futuro.
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